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terça-feira, 5 de abril de 2016

Quando a criança já pode engolir comprimidos?

Confira 5 dicas do pediatra e homeopata Moises Chencinski

Com que idade o meu filho já pode tomar comprimidos?
Apesar de não haver uma idade exata, em geral, por volta dos 8 ou 10 anos, a criança já consegue se adaptar aos comprimidos.

É normal ela ficar nervosa na hora de tomar o remédio?
Sim, mas estudos explicam que a capacidade de engolir uma pílula não está diretamente ligada à idade, mas sim, à ansiedade. “A pílula é uma substância sólida. Nós aprendemos que temos que mastigar algo que é sólido. É preciso uma mudança mental para relaxar a garganta e ser capaz de engolir”, comenta o pediatra Chencinski. Por isso, se para alguns adultos engolir comprimidos pode não ser tão fácil, imagina para algumas crianças.

O que posso fazer para ajudar meu filho nesse processo?
Paciência, treino e tranquilidade. É preciso muita conversa com a criança para que ela assimile, aos poucos, que esse é um dos meios para que se cure de alguma doença. E que não vai acontecer nada de errado com ela. Vale até, como sugere Chencinski, criar uma história em cima da situação: “Peça a criança para imaginar que a língua é uma onda de água e a pílula é o surfista”, exemplifica. Outra opção é tentar que ela beba um pouquinho de água primeiro e a pílula seguida por um suco, ou vice-versa. Mas ela precisa estar, sobretudo, calma.

Posso cortar o comprimido ao meio para facilitar?
Não! Segundo o especialista, cortar, esmagar ou dissolver o comprimido não são boas opções. Além de enganar a criança, alguns medicamentos têm restrições quanto a misturas e alterações na sua forma física. Outro ponto é o risco de que, com essas técnicas, você não ofereça a dose inteira para a criança.

E se ela não conseguir, o que fazer?
Converse com o pediatra e peça para que ele troque o medicamento por outra apresentação, como xaropes, gotas, supositórios. E, claro, espere passar um tempo e, em uma próxima oportunidade em que seu filho precisar ser medicado novamente, tente oferecer o remédio em forma de comprimido. Porém, jamais use frases do tipo “Você já é um moço. Precisa engolir isso”. Não vai ajudar em nada, além de deixar a criança mais ansiosa. Paciência é a chave para qualquer conquista.
Fonte: Site Revista Crescer

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Pais e mães que cuidam bem de si mesmos fazem a família toda ser mais feliz.

Esse é apenas um dos dados de um estudo feito pelo Facebook IQ. Com base nos dados do Facebook e do Instagram, a pesquisa mostrou também como o acesso à tecnologia – e principalmente às redes sociais – vem alterando as tradições familiares.
Sim, a nova geração de pais está mudando – e muito! E a participação da internet e das redes sociais tem um papel-chave nessa mudança. Uma pesquisa realizada pelo Facebook IQ mostra bem essa revolução. Especialistas analisaram dados de Facebook e Instagram de 8.300 pais e mães de 25 a 65 anos de idade, de 8 mercados diferentes ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Eles descobriram que os pais que hoje estão na faixa de 18 a 34 anos têm uma probabilidade 30% maior de consultar informações na hora de fazer uma compra do que os pais que estão na faixa dos 50 aos 60.
Um dos dados mais bacanas encontrados pelo estudo é que 38% dos pais dizem que sua família está melhor quando eles estão em seu melhor. Ou seja, os pais estão percebendo cada vez mais que, se eles cuidarem de si mesmos em primeiro lugar, serão capazes de ser melhores. Eles conseguirão lidar com suas responsabilidades diárias e com as tensões, que inevitavelmente aparecem, de uma forma mais amorosa e cheia de energia.
“Eu vivo para o meu filho”

Culturalmente, ainda existe um discurso de que os pais e, principalmente as mães, têm que se dedicar exclusivamente aos filhos, que as crianças devem ser sempre prioridade absoluta. Então, quando eles fazem algo para si, como deixar as crianças com a avó para ir ao cinema em uma sexta à noite, muitas vezes são chamados de egoístas. “Como assim, largar o filho pequeno para ir se divertir?” Mas ser egoísta, acredite, não é necessariamente algo ruim. “A gente tem que tirar o rótulo negativo da palavra egoísmo. Ser egoísta nada mais é do que se colocar em primeiro lugar. Quando uma pessoa se coloca em primeiro lugar, ela cuida da vida dela. Ela se ama, se trata bem, tem energia para tomar conta da sua própria vida e também para cuidar do próximo”, explica a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP). É válido inclusive lembrar que situações extremas exigem a mesma conduta: em caso de despressurização da cabine de um avião, você deve primeiro colocar a máscara de oxigênio em si para ter condições de ajudar a pessoa ao seu lado.
Um pai, por exemplo, que se organiza para deixar os filhos na escola de manhã e reserva uma horinha do dia para correr sozinho no parque, ou para tomar um café da manhã mais demorado na padaria, não está sendo egoísta: ele está se cuidando. E o fato de reservar um horário exclusivo para si mesmo, para fazer algo que é importante para ele, pode trazer grandes benefícios à saúde, tanto física, quanto psíquica.
”É preciso escolher algo que faça diferença na sua qualidade de vida e que seja realmente importante para você”, completa Rita. Além disso, o planejamento requer responsabilidade. É preciso ter certeza de que seu filho está sendo cuidado por uma pessoa de confiança e que ele conheça nos momentos em que você se ausenta.
Fonte e matéria completa: http://revistacrescer.globo.com/Familia/Rotina/noticia/2016/02/pais-e-maes-que-cuidam-bem-de-si-mesmos-fazem-familia-toda-ser-mais-feliz.html

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Festa Junina 2015



Alguns itens podem ter sido doados antes do tempo hábil para atualização dessa lista. Pedimos que liguem antes do envio para detalhes. (19) 3402-5528 / 3434-0328 Obrigado.



terça-feira, 14 de abril de 2015

A importância de estimular a leitura desde cedo.



É a curiosidade que faz com que as crianças se desenvolvam e amadureçam. Esta característica faz com que desde muito cedo, tenham interesse em saber o que está escrito nos anúncios e outdoors que se encontram nas ruas. Para além disso, querem saber os números e as letras, para que consigam dizer quantos anos têm e escrever o nome nos desenhos. Com o avanço da tecnologia e a atratividade dos tablets e celulares, nem sempre acabam se interessando pela leitura de livros. Mas nem isso pode ser usado como desculpas afinal já existem diversas opções de livros infantis com texturas, surpresas, saliências e mistérios que encantam os "baixinhos". Para quem não abre mão da tecnologia é possível ter acesso a uma infinidade de aplicativos e livros para baixar, muitas vezes gratuitamente. O importante é não deixar de estimular a leitura desde cedo seja ela da forma que melhor lhe convier. Seguem 20 títulos infantis em formato pdf para baixar (pc ou tablet).
  1. A borboleta azul
  2. A Bruxa e o Caldeirão
  3. Amanda e os Nanorobôs
  4. Chuva e sol
  5. Conto ou não conto?
  6. Dom Quixote
  7. Eu que vi, eu que vi
  8. Histórias da Avózinha
  9. Histórias que acabam aqui
  10. Meiguice
  11. No reino das letras felizes
  12. O galo Tião e a dinda Raposa
  13. O galo Tião e a vaca Malhada
  14. O leão Praxedes
  15. O mistério do anel de pérola
  16. O pacto maldito e outras histórias de morte
  17. O peixinho e o gato
  18. O ramo verde
  19. O ratinho Rói-Rói
  20. Pai, posso dar um soco nele?
Boa leitura!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Crianças se preocupam em ser magras cada vez mais cedo, revela estudo.


O desejo de cultivar um corpo ideal (leia-se magro) tem se disseminado até entre os pequenos. Foi o que revelou um estudo conduzido pelo Common Sense Media, uma organização norte-americana dedicada a auxiliar filhos e pais a lidar com a profunda influência da tecnologia e da mídia na sociedade. Baseados em uma série de pesquisas relacionadas à autoimagem, os pesquisadores reuniram estatísticas desconcertantes, que oferecem um panorama sobre o tipo de relação que as crianças estão construindo com sua autoimagem. De acordo com a pesquisa, nos Estados Unidos, um terço dos garotos e mais da metade das garotas com idades entre 6 e 8 anos acha que o corpo ideal é mais magro do que o seu. Outro dado revela que uma em cada quatro crianças já tentou fazer dieta depois dos 7 anos.

“Elas passam a perceber seu tamanho corporal por volta dos 2, 3 anos, quando começam a ter consciência do tamanho do pulo que podem dar, de quais objetos encaixam em qual espaço, de qual roupa serve num boneco”, explica a psiquiatra Marcia Morikawa, do Núcleo de Medicina Psicossomática e Psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). É a partir daí que os pequenos passam a se comparar com os demais: amigos, adultos e, claro, com todos os personagens que aparecem na mídia.

As barrigas trincadas, as formas esguias e “sequinhas” e os braços e pernas duros e bem definidos de homens de mulheres que estrelam propagandas, filmes e programas de televisão têm uma influência direta – e maléfica – na definição de parâmetros relacionados não só ao corpo ideal, mas também ao que se entende por sucesso. “A publicidade é que determina os padrões de beleza. O modelo da magreza começou nos anos 1960, com a Twiggy (famosa modelo da época), e foi se acentuando desde então”, explica o psiquiatra Marco Antonio Bessa do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Para se ter uma ideia de como os padrões de beleza se enrijeceram, basta saber que o índice de massa corporal (IMC) da Miss America caiu de 22 pontos, nos anos 1920, para 16,9, nos anos 2000.

As crianças são mais sugestionáveis que os adultos. “Elas são mais imaturas: ainda não têm capacidade de contrapor e criticar o modelo e, assim, tendem a reproduzir aquilo que observam”, completa Bessa. Elas querem ter a cinturinha das princesas da Disney, os músculos dos super heróis e a aparência das celebridades que estampam as capas das revistas.  A boa notícia é que apesar de a influência da mídia ser inegável – e até incontrolável, em certo ponto - as maiores referências ainda são construídas dentro de casa.

Família-modelo
“Crianças pequenas se espelham em modelos que as cercam, para copiar a maneira de agir e pensar. Pais que manifestam insatisfação corporal ou que são muito críticos quanto à aparência de outras pessoas influenciam na constituição da autoimagem e da autoestima dos filhos”, explica Marcia. Por isso, fazer observações como “nossa, a fulana engordou muito”, “essa pizza têm muitas calorias” ou “não posso comer esse doce porque é muito gordo” na presença deles pode contribuir para que haja uma distorção da relação com o próprio corpo e com a comida.“Comentários a respeito da alimentação, como julgamentos negativos de certos alimentos, acabam influenciando a maneira como a criança vai encarar aquela refeição”, explica a psicóloga e psicopedagoga Melina Blanco Amarins, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP).

A comida está presente nas interações sociais, seja no lanche da escola ou nos encontros de família, e faz parte dos diferentes círculos que seu filho vai frequentar. “As refeições devem ser associadas ao prazer. Se os adultos não compartilharem desta sensação, eles devem tentar não transparecer impressões negativas”, aconselha Melina. Por esse motivo, mesmo que os pais tenham seus próprios dilemas com a comida – e muitas vezes até precisem seguir dietas restritivas por uma questão de saúde -, devem se esforçar ao máximo para tratar a alimentação como uma parte importante do desenvolvimento saudável.

Saúde, sim. Paranoia, não
O grande desafio das famílias vai muito além de adotar um estilo de vida saudável que reflita em um peso adequado: é preciso saber lidar de forma equilibrada com as pressões externas, de modo que a relação com a comida e com o próprio corpo seja algo natural e prazeroso. “Os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos e reconhecer não somente os aspectos físicos, mas também cognitivos”, aconselha Melina. Isso começa pela valorização de outras características que nada têm a ver com a aparência. No lugar de elogiar a roupa ou o penteado de uma criança, pergunte o que ela gosta de ler, diga que ela é esperta, engraçada, inteligente... Não se limite ao bonito ou feio. As qualidades das pessoas vão além daquilo que elas aparentam e você pode ensinar isso ao seu filho a não ficar só na superficialidade, tanto no trato com os outros como na relação consigo mesmo. 

Outro bom exercício é tentar desconstruir os padrões impostos. “Oferecer modelos diferentes de beleza, mostrar que as fotos não são tão reais quanto parecem: tudo isso vai dando à criança mais condições de questionar as informações que ela recebe”, explica Bessa. E sempre vale lembrar: quanto mais exigente você for com a sua própria aparência, mais vai ensinar seu filho a se cobrar também. A melhor maneira de ensiná-lo a ter uma relação bacana com o próprio corpo é mostrar que amamos as pessoas por aquilo que elas são e não pelo que elas aparentam ser – a começar por você!

É coisa séria.
Nos casos mais extremos transtornos alimentares em crianças, os comportamentos são ainda mais radicais: muitas vomitam escondidos ou negam-se a comer. A psicóloga Annebele Gesse, de Blumenau, Santa Catarina, já recebeu diversos pacientes nessas condições. Um deles é uma menina 8 anos e meio, com bulimia e acima do peso, que não conseguia controlar a ansiedade, mas queria emagrecer. “Já fazia quase dois anos que a tia dela havia morrido e ela ouviu que ninguém ia carregar o caixão porque a tia era gorda demais e que, se tivesse comido menos, não teria sofrido ataque do coração”, conta a médica. Outra vez, passou pelo consultório uma menina de 2 anos e meio que não comia nada sólido e vomitava. “A mãe não queria que ela fosse uma criança gorda e batia tudo no liquidificador, pois tinha a ideia que comida líquida não iria engordar a menina”, conta.

Para não deixar que a situação chegue a esse ponto, vale sempre consultar um pediatra caso perceba algum comportamento preocupante. A partir daí, a criança poderá ser encaminhada para um acompanhamento psicológico especializado, se for necessário.
Fonte: Site Crescer

quarta-feira, 4 de março de 2015

Quantas horas seu filho precisa dormir por dia?

National Sleep Foundation atualiza recomendação, que passa a contar com margem de variação. Orientações também valem para o Brasil.
A mesma preocupação que os pais têm com a alimentação, com a higiene e com a segurança dos filhos também deve ser aplicada quando o assunto é o sono das crianças. Isso porque, assim como os outros itens, ele também tem importância vital para o ser humano e, principalmente, para aqueles que ainda estão em fase de crescimento. É o que diz a National Sleep Foundation (Fundação Nacional do Sono), organização americana especializada no tema. O órgão, respeitado no mundo inteiro, divulgou uma tabela atualizada com a quantidade ideal de sono que cada um de nós precisa, de acordo com a idade.
Para reformular o quadro, a instituição fez uma ampla pesquisa durante dois anos com pessoas de diferentes idades, hábitos e origens. Os estudos foram liderados por um grupo de dezoito cientistas, especialistas no assunto, e os resultados também valem para o Brasil, de acordo com Magda Lahorgue Nunes, do Departamento de Neurologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Seguimos as recomendações internacionais. Há um levantamento específico do sono nas crianças brasileiras, mas ainda está em andamento", diz a médica.
A principal novidade da tabela americana foi a inclusão de margens que não são ideais, mas aceitáveis. Por exemplo: o ideal é que um bebê de 4 a 11 meses durma de 12 a 15 horas por dia, mas tudo bem se o sono for um pouco menos - de 10 a 11 horas - ou mais - de 16 a 18 horas. "Existem indivíduos com mais ou menos necessidade de sono. De qualquer maneira, as crianças devem dormir mais", explica Nunes. Além de ser essencial para o descanso e fixação do aprendizado, é também durante a noite que o corpo libera os hormônios do crescimento em maior quantidade. "Por isso, a hora de ir para a cama também faz toda a diferença", afirma a neurologista.
A soneca conta?
Quanto menor o bebê, mais tempo ele passa dormindo. Como os recém-nascidos ainda não adquiriram o ritmo de dia e de noite e precisam ser amamentados com mais frequência, o sono vem com intervalos. Conforme crescem, os horários se ajustam. Até cerca de 4 ou 5 anos, as crianças costumam tirar sonecas de uma ou duas horas. Isso se soma ao tempo de descanso da noite.
Um estudo recente, realizado por pesquisadores australianos, sugeriu que as sonecas durante o dia, a partir dos 2 anos de idade estariam relacionadas a uma dificuldade maior de dormir à noite. Magda Lahorgue Nunes discorda. "A soneca em crianças acima de 2 anos só pode atrapalhar o sono noturno se tiver duração acima de uma hora e se ocorrer após as 16 ou 17 horas. Nesta idade, recomenda-se a soneca da tarde logo após o almoço", explica.
Ajude seu filho a dormir
Seu filho não quer saber de dormir cedo? "Criar uma rotina agradável e se ater a ela é o primeiro passo para os pais obterem mais sucesso na hora de colocar os filhos na cama. Se, todos os dias, os pais derem o banho, escovarem os dentes, colocarem o pijama, diminuírem as luzes da casa e contarem uma história, por exemplo, a criança começa a associar todo esse ritual com a hora de dormir. É importante seguir uma rotina, seja ela qual for", indica a especialista.
Tabela das horas recomendadas de sono, de acordo com a National Sleep Foundation:
Fonte: Site Crescer

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Incentivar a autonomia é fundamental para o desempenho cognitivo da criança.

Pesquisa canadense mostra que, quando as mães dão suporte para que a criança possa realizar atividades sozinha, há uma melhora em sua capacidade de resolver problemas, na memória e no pensamento.

Você faz tudo para o seu bebê? Tudo até encaixar um bloco de brinquedo que ele não está conseguindo? Veja só: um estudo realizado na Universidade de Montreal com 78 mães e filhos mostrou que, quando elas dão autonomia às crianças, há um impacto positivo na função executiva, um dos pilares do desenvolvimento cognitivo. Essa função engloba a memória de trabalho, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas, além da capacidade de planejamento e execução de atividades.

Para o estudo, as famílias foram visitadas em duas ocasiões: quando a criança tinha 15 meses e depois, ao completar 3 anos. Na primeira visita, foi pedido à mãe que ajudasse o filho a completar uma tarefa com um nível de dificuldade consideravelmente alto. Essa atividade durava cerca de 10 minutos e foi gravada em vídeo para que os pesquisadores pudessem analisar o tipo de suporte materno. Ou seja, se ela o encorajava, se era flexível, se incentivava e respeitava o ritmo da criança.

Quando as crianças completaram 3 anos, os cientistas, por meio de uma série de jogos adaptados, avaliaram a força da memória de trabalho e da capacidade de pensar sobre vários conceitos simultaneamente. Aquelas que obtiveram melhores pontuações tinham mães que ofereciam um suporte consistente ao desenvolvimento de sua autonomia.

Autônomo desde cedo?

Você pode até achar exagero dar autonomia ao bebê desde pequeno. Mas trata-se de um processo gradual, que vai se desenvolvendo à medida que o seu filho realiza novas conquistas e adquire condições que contribuem pouco a pouco para que ele se torne independente. “Nós não ‘damos’ autonomia a uma criança, nós vamos ensinando e deixando que ela tente resolver questões, situações e conflitos nos quais houve uma orientação prévia, para que possamos reforçar os conceitos educativos e valores morais ensinados anteriormente. Neste sentido, a escolha da criança não é autônoma, mas supervisionada por pais ou responsáveis”, explica a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

Por isso, não se assuste: incentivar essa independência do seu filho é muito diferente de deixá-lo tomar decisões e fazer escolhas por conta própria. “Esse estímulo desde bebê é extremamente desejável. Para um desenvolvimento psicológico saudável é necessário que se interaja com o ambiente e que este o desafie, isto é: propor à criança situações que estimulem a busca ativa por soluções”, explica o psicólogo e neurocientista Hudson de Carvalho, do Código da Mente. 

Isso quer dizer que você deve estar ao lado da criança, orientando no que for possível, incentivando a realização de tarefas e propondo novos desafios, sempre permitindo que ela supere seus limites e explore o ambiente, dentro do que for seguro. “Dar espaço e oportunidade ao bebê é um ato de amor, cuidado e desprendimento”, explica o psicólogo Hudson.

É precisamente este terceiro item que representa o maior obstáculo para os pais: todo mundo quer ver o filho feliz e realizado, por isso é difícil (e doloroso) vê-lo lidar com o erro e a decepção sem interferir.  “O desprendimento surge quando o pai e mãe permitem que a criança lide com a frustração. Deve-se dar incentivos para que o bebê tente resolver algo que tenha condições de dar conta sozinho”, completa Hudson.

Quer saber como, no dia a dia, você pode incentivar a autonomia do seu filho? Confira abaixo dicas que você pode aplicar de acordo com a idade da criança:

- Envolva a criança aos poucos em pequenas escolhas do dia a dia. Deixe-a decidir qual será a sobremesa do almoço de sábado, por exemplo. Dê opções de trajes para que decida o que prefere vestir, apresente diferentes livros. Dica: limite o número de opções para que ela não se sinta perdida.

- Deixe o seu filho ciente sobre os ônus e bônus de toda a escolha, antes que ela decida o que quer e dê tempo para que possa refletir.

- Se a criança se arrepender da escolha que fez, ensine-a a lidar com a frustração! Explique que é assim mesmo, que haverá outras oportunidades e que ela fez o que achou melhor para aquele momento. Não a critique ou diga "eu te disse!".

- Separe todos os dias 30 minutos para brincar com seu filho e neste período de tempo se proíba de corrigi-lo, repreendê-lo e guiar a brincadeira. Faça aquilo que ele indicar que quer fazer - desde que não o coloque em risco, claro!

Mas é sempre válido lembrar que estimular a autonomia não significa deixar seu filho fazer o que quer o tempo todo. Isso apenas irá deixá-lo mimado.

Fonte: Site Crescer

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Associação Americana de Pediatria aprova uso de creme dental com flúor desde o primeiro dente do bebê.

Odontopediatria brasileira já recomenda a aplicação desde 2009.
Nas prateleiras de supermercados ou farmácias, naquele corredor específico de produtos para bebês, a maior parte das embalagens dos cremes dentais indicados para a faixa etária que vai de 0 a 3 anos, destaca: "Sem flúor" ou "Não contém flúor". Há pais de filhos pequenos que têm receio de aplicar nos dentes das crianças as versões com a substância. No entanto, de acordo com uma nova recomendação da Academia Americana de Pediatria, um dos órgãos mais influentes do mundo quando se trata de saúde infantil, os primeiros dentes dos bebês devem, sim, ser higienizados com cremes que contêm esse elemento na fórmula.

Apesar de esta ser a recomendação oficial do órgão brasileiro de odontopediatria desde 2009, somente agora a Associação Americana de Pediatria se manifestou a favor do uso. A Sociedade Brasileira de Pediatria concorda com a orientação. "Alinhado com as recomendações da Academia Americana de Pediatria, o Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP recomenda que crianças a partir do primeiro dente usem uma escova macia e uma quantidade de pasta que equivale a um grão de arroz", diz Tadeu Fernando Fernandes, pediatra e presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP.

Havia o temor de que o creme dental engolido pelos bebês levasse à fluorose, que provoca manchas brancas nos dentes permanentes, antes mesmo de sua formação. A preocupação era ainda maior, considerando-se que a água corrente que sai de nossas torneiras também já vem com uma certa quantidade de flúor. "Existe uma interpretação errada quando se fala que o creme dental causa fluorose. Na verdade, ela é ocasionada pelo excesso de flúor ingerido pela criança, sem o controle dos pais. A pasta deve ser usada, mas na quantidade certa recomendada pelo odontopediatra e sob supervisão de um adulto", diz Luciana Nogueira da Cunha Rosa, professora da pós-graduação em Odontopediatria do Senac Tiradentes. Por isso, os pais devem ficar atentos à concentração de flúor no creme dental escolhido (saiba mais abaixo, em “Como escolher a pasta”), à quantidade aplicada na escova ou na dedeira e se responsabilizar pela escovação dos filhos, principalmente dos menores", afirma Paulo César Rédua, presidente da ABO (Associação Brasileira de Odontopediatria).

Para evitar qualquer tipo de problema com a escolha da pasta, e do momento certo para iniciar o uso da escova e do creme dental para fazer a higiene bucal, é fundamental que os pais levem os filhos ao odontopediatra assim que nasce o primeiro dente. "As orientações variam de acordo com a rotina [alimentar] e com as características de cada criança. Um bebê que já tem cinco dentes, mas não tem contato com o açúcar, pode demandar uma frequência e uma maneira de escovação diferente de outro, com apenas um e que come biscoitos diariamente", exemplifica Rédua. Depois, na maior parte dos casos, as visitas ao consultório podem continuar acontecendo a cada seis meses.

Como escolher a pasta?
Então, os bebês podem usar pastas de dente comuns desde o início da dentição, mas, de volta às prateleiras do supermercado, qual produto escolher, diante de tantas opções? "Os pais devem ler o rótulo e procurar por produtos que tenham uma concentração de flúor entre 1100 e 1450 ppm (partes por milhão). Nos cremes dentais infantis, o que muda é o sabor, geralmente mais atraente para esse público, mas a eficiência é a mesma", explica o presidente da ABO. "Se tiver concentração inferior a 500 ppm, não protege das cáries", afirma. Enquanto a criança ainda não tem os dentes molares (os do fundo, que contêm mais sulcos e fissuras, locais de difícil alcance da escova e, portanto, favoráveis para o acúmulo de bactérias), a limpeza pode ser feita com uma dedeira ou gaze. Depois disso, o uso da escova de dentes torna-se obrigatório. Para escolher, basta seguir a indicação de idade especificada na embalagem.

Quantas vezes e quanta pasta colocar?
Em geral, o ideal é escovar pelo menos de manhã e à noite para os menores de 2 anos. Mesmo que você não consiga supervisionar as outras limpezas do dia, garanta que a última, antes do seu filho ir para a cama, seja bem feita, de preferência por você. Comer somente nos horários certos também ajuda na prevenção da cárie. "Se a criança se alimentar várias vezes ao dia, fora dos horários das refeições e dos lanches, os dentes ficam mais expostos à sujeira", explica Rédua. Uma das funções da saliva é limpar restos alimentares e micro-organismos que favorecem a infecção por cáries. Comer a toda hora, principalmente alimentos que contenham açúcar, sobrecarrega esse mecanismo, que acaba não dando conta do recado. Sem contar, é claro, os outros problemas associados a esse comportamento, como a obesidade.

Os pais também devem ficar atentos à quantidade de pasta usada em cada escovação. Isso também pode ser alterado de acordo com a orientação profissional. A princípio, a recomendação para as crianças de até 2 anos é uma quantidade que equivale ao tamanho de um grão de arroz cru. Depois disso, os pais podem aumentar gradativamente, até o tamanho de um grão de ervilha para os maiores. "Se os pais usarem essa quantidade, não ultrapassam 30% da margem de segurança de deglutição de flúor, ou seja, ainda que a criança engula o creme dental, ela não correrá riscos de ter nenhum problema por conta disso", explica o presidente da ABO.
Fonte: Site Crescer

quinta-feira, 10 de julho de 2014

10 maneiras de estragar um filho

Estragar os filhos é um privilégio dos pais, afinal, eles não conseguem se estragar sozinhos. Siga estes 10 passos a seguir e deixe seu filho completamente estragado.
Bons pais sempre se esforçam em agradar suas crianças, pois a ausência deve ser compensada com muitos brinquedos, mimos e guloseimas. Eles são os reizinhos do lar e temos que agradá-los e satisfazer todas as suas vontades. Afinal, eles são os mais bonitos, espertos e inteligentes filhos que um casal pode ter.

Seguindo os passos abaixo, você criará adultos dependentes, mimados, que esperam que o mundo satisfaça todos os seus desejos ao menor comando deles. E se não conseguem, se deprimem, tornam-se rebeldes, usuário de drogas ou de autogratificação.

1 - Fique ausente por todo o dia e traga trabalho para casa

Quando seu filho quiser sua atenção, ou mostrar algo, finja ouvir e faça hum hum. Assim ele pensa que você respondeu e lhe deixa em paz para trabalhar ou navegar em redes sociais.

2 - Não façam refeições em família

É um hábito ultrapassado onde os pais têm que presenciar os filhos brigando, ou o cônjuge reclamando. Caso seja forçado a fazê-lo aproveite este tempo para enviar sms ou navegar nas redes sociais pelo celular.

3 - Não lhes ensine princípios religiosos ou morais

Não dê conselhos também, para isso você teria que despender tempo em aprender primeiro, ou quem sabe até frequentar uma igreja. Além de tudo ter que ser exemplo de honestidade e caráter moral é cansativo, exige autovigilância constante e traz dificuldades, discussões, desperdício de tempo em longas reuniões familiares. Orar com elas antes de dormir ou contar histórias toma um tempo precioso que você poderia usar para adiantar alguns memorandos ou relatórios para o dia seguinte.

4 - Recompense-os

Vamos concordar, vocês pais têm trabalhado demais e dado pouca atenção aos filhos. Fácil resolver. A culpa nesses casos ajuda muito. Vocês devem enchê-los de presentes. Quanto mais caros melhor. Dê-lhes tudo o que pedirem. Nunca digam "não". Afinal os pobrezinhos já sofrem com o tempo que vocês têm que trabalhar por eles, não é?

5 - Trate-os como propriedades

Esse vale mais para as mães. Afinal, quem é a rainha do lar? O pai é só um coadjuvante, que traz o alimento para casa, ele não entende de criar crianças. Foi a mãe quem os pôs no mundo e o pai não precisa fazer parte da educação dos filhos. Aliás, quanto mais distante ele estiver das crianças, melhor. Se a mãe ainda falar dele de maneira a diminuí-lo aos olhos dos filhos, mais estrago causará aos pequenos.

6 - Não os repreendam

Deixe-os ter liberdade de expressão e falar tudo o que quiserem, inclusive palavrões. Ache graça disso. Ria e eles rirão também e repetirão o palavrão várias vezes, inclusive na frente de outras pessoas. Expressar a raiva também deve ser direito das crianças. Gritar, fazer birra, brigar e bater em outras crianças ou mesmo nos pais é apenas uma maneira inofensiva de extravasar a raiva. Autocontrole é um conceito burguês e que fere a liberdade individual.

7 - Nunca os responsabilize por nada

Crianças são crianças, dar-lhes responsabilidades ou limites é tirar parte de sua infância. Elas não têm que ter tarefas em casa, isso é coisa de adultos. Deixe para a babá recolher os brinquedos ou roupas que elas deixam espalhados. Afinal é para isso que ela é paga. Quando vão mal na escola, não estudam ou brigam com os colegas, a culpa é dos professores. Vá até a escola e brigue com todos. Afinal seu "bebê" é a criança mais doce e inteligente do mundo. Se estragarem os tênis, o uniforme, a roupa de marca ou sumirem com o celular, reponham imediatamente. Seus filhos não devem parecer ter menos condições financeiras que os colegas.

8 - Briguem na presença deles

Afinal, após tantos mimos, eles têm que entender que a vida é cruel e que os pais brigam. Exponham os defeitos um do outro. Quando o marido der uma ordem ou limite, a esposa pode intervir se achar que tal ordem não deve ser dada e dizer isso ao pai com o dedo em riste, para que os filhos entendam que têm uma defensora. Da mesma forma o pai deve desautorizar a mãe. Isso vai ajudar muito a estragá-los, além de deixá-los confusos sobre o que ou a quem obedecer.

9 - Proteja-os do mundo e das pessoas más

O mundo é perigoso e eles são apenas seus bebês. Mesmo que já estejam na adolescência. Não confie neles para saírem sozinhos, encham-lhes de medo e apreensão. Assim eles ficam em casa e vocês pais não precisam se preocupar com sua segurança. Não os deixem voar sozinhos, ter experiências próprias e nem sair de casa, mesmo que já tenham 40 anos.

10 - Evite o contato físico

Principalmente o pai. Abraçar e beijar seus filhos, dizer que os ama, deixe para a mãe. Afinal os filhos podem se aproveitar para manipulá-lo. Isso pode denotar fraqueza, é coisa de maricas. Esconda seus defeitos e seja invulnerável, o superpai que nunca falha.

Seguindo esses 10 passos, com certeza os pais criarão filhos estragados, despreparados para a vida e infelizes. Estragar crianças é muito fácil. Difícil é amá-las, dar exemplo, limites, responsabilidades, direção, ensinar o valor das coisas e os valores da vida, repreender quando necessário e elogiá-las na medida certa.

"O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade." Karl Mannheim

Birra: a hora de dizer não para a criança.

Não é fácil lidar com os escândalos das crianças, mas os especialistas garantem: pais que sabem dizer não e sustentam essa posição têm mais chances de ajudar os filhos

Tudo começa com um chorinho quando o bebê não consegue satisfazer seus desejos – subir na mesa, pegar o controle remoto, não devolver o brinquedo do irmãzinho. Mas o primeiro mandamento para lidar com a birra infantil é não se desesperar.

Gritar e perder o controle só reforça esse tipo de comportamento da criança, que entende a sua reação como parecida com a dela. Quando o pequeno percebe que conseguiu tirá-la do controle e chamou a sua atenção, desconfia que você acabará cedendo, especialmente se estiverem em público. E, aí, salve-se quem puder.

Segundo a psicanalista infantil e familiar Anne Lise Scappaticci, de São Paulo, desde muito cedo as crianças aprendem a arte da manipulação. “Da mesma maneira que sabem que agradam quando são boazinhas, percebem que podem usar a birra para conseguir o que desejam”, diz.

A teima faz parte do comportamento infantil, como uma tentativa de a criança demonstrar certa independência e expressar suas vontades. E aparece por volta de 1 ano e meio de idade.

Quando a criança tenta conseguir o que quer através de showzinhos, a dica é dar um pouco de atenção, sem estender a bronca por horas. Você pode dizer que esse “não” é o jeito de conseguir o que ela quer e por causa disso não vai ter mesmo. E não fique assistindo ao espetáculo, a menos que a criança esteja se debatendo e corra o risco de se machucar.

“Nesses casos, aconselho a abraçá-la e ir conversando até ela se acalmar”, afirma Anne Lise. Se o incidente ocorreu numa festa de aniversário, por exemplo, assim que cessar, volte para casa. Depois de um escândalo como esse, a criança não pode ser recompensada com diversão.

Segundo Vera Iaconelli, psicanalista e coordenadora do Gerar – Instituto de Psicologia Perinantal, se o ataque for muito intenso e você estiver no shopping ou no parque, vale levá-la até o carro para se acalmar e, se for o caso, nem retornar. O problema é acabar com o programa dos irmãos ou da família toda. O ideal é tirá-la do local e mostrar que a birra não levará a nada, que você não mudará de ideia.

“Quando os pais aprendem a lidar com o filho, as birras diminuem. Depois de uma ou duas vezes, ele aprende que a teimosia não adianta e para de insistir. Se isso não acontece, é porque a criança descobriu que fazer cena funciona e ela sempre ganha a parada”, diz Vera.

A maneira de lidar com esses conflitos é decisiva. “Os pais precisam ser firmes, mesmo que o filho chore e fique com raiva deles. Se cedem a cada vez que ele fica desapontado, acabam criando uma pessoa que não suporta a frustração, tem dificuldades de relacionamento e fica malvista pelos amigos, que muitas vezes se afastam”, alerta Anne Lise.

O bebê está brincando, você precisa dar banho nele para sair, mas a criança não quer. Ele se rebela e chora. Nessas horas, o truque é mudar seu foco, chamando a atenção para objetos e pessoas de que ele gosta. Imagine se os pais ou os cuidadores sempre cederem a essa pequena rebeldia? Como conseguirão encontrar um momento para levá-lo à banheira? E quando ele ficar maior, serão os pais capazes de impor obediência?

A psicanalista Vera Iaconelli explica que a capacidade de aceitar regras vai se desenvolvendo ao longo do tempo e os pais não precisam fazer disso uma batalha, entrando em constante confronto com a criança.

“Alguns pais têm tanto pavor da birra que negam tudo, vetando qualquer chance de o filho se revoltar e descobrir por si só o que quer. O equilíbrio está em selecionar o não para coisas realmente importantes, como morder e bater nos outros ou nos objetos, colocar o dedo na tomada, atravessar a rua sem dar a mão.”

Se seu filho sempre se comporta como um birrento, atenção! “Apesar de ser frequente no universo infantil, o padrão indica um problema mais sério. É hora de procurar ajuda de um especialista. Do contrário, a birra fará a criança se fechar em uma ideia fixa, sem enxergar outras possibilidades”, alerta Anne Lise.

É difícil enfrentar um comportamento quando ele aparece pela primeira vez. E é muito comum a criança que nunca fez uma determinada birra um dia se atirar no chão e fazer manha, deixando os pais atônitos.

Uma das explicações para isso é a imitação. Ela pode ter visto o amiguinho fazer o mesmo, percebido que funcionou e tentar a sorte também. “O papel dos pais nessa hora é dizer não e tirar a criança do local. Ponto final. Não caia na tentação de passar meia hora falando, dando corda para uma atitude repreensível ou criticando a ação como se fosse a pior coisa do mundo”, diz Vera.

“Até os 5 ou 6 anos, a criança não consegue manter a concentração nas palavras por mais de 20 ou 30 segundos”, diz a psicóloga infantil e terapeuta familiar Suzy Camacho, autora do livro Guia Prático dos Pais (ed. Paulinas).

Por isso, é fundamental insistir nas regras. “Antes de sair de casa, converse com ela e deixe claro o que não será permitido. Dependendo da idade, ela pode esquecer, daí a necessidade de repetir a história muitas vezes, até que ela aprenda.

Antes de chegar ao supermercado, por exemplo, deixe claro o que será possível comprar entre as guloseimas de que ela gosta e quando poderá comer. Caso ela abra o iogurte ou o pacote de bolacha ainda na loja ou no carro, seja firme. Diga que não é hora nem lugar para comer aquilo e coloque o produto em local fora de alcance. “A estratégia é evitar o acesso fácil ao que é proibido e aguentar a birra, mesmo que se sinta constrangido por estar em local público”, afirma Anne Lise.

Muitas vezes, os pais acabam dizendo sim, sim, sim por pena de ver o filho sofrer. Quem nunca teve ímpetos de aceitar levar um brinquedo caríssimo só de olhar para a carinha de choro de seu filho, implorando no meio da loja, quando o combinado era não comprar nada?.

Segundo Suzy, no entanto, para criar pessoas equilibradas é preciso que os pais impeçam o filho de impor sempre sua vontade. “Quem não quer ter um ditador precisa dizer não. Crianças que nunca são contrariadas acabam se tornando adultos infelizes, irritadiços, agressivos, depressivos, já que o mundo não dá o mesmo sim incondicional dos pais”, afirma Suzy.

O limite, explica Vera, é uma forma de evitar a teima e deixar a criança mais segura. “A criança sem limite se sente culpada, sem chão, tem dificuldades para ficar longe dos pais. Quando eles são firmes, elas se sentem acolhidas e entendem que uma cena não os fará mudarem de ideia.”

“Se os pais forem coerentes com o que dizem e fazem, terão um filho disciplinado aos 7 anos e deverá seguir assim pelo menos até a adolescência, quando a rebeldia, uma nova forma de birra, ressurge em intensidade variada, dependendo de como a criança vem lidando com as frustrações”, conta Suzy.